TODAS SÃO (ATÉ QUE PROVEM O CONTRÁRIO)
(Henrique Pachêco / Sérgio Arthuro)
Menina você não me engana
De longe eu conheço essa sua fama
Vive pensando besteira
Mulher sem futuro, sem eira nem beira
Que faz o que quer comigo
Depois joga fora e não quer nem saber
Mexe com a minha cabeça
Me beija, me cospe, não dá pra entender
E eu que não sabia
Que você era uma vadia
Vagabunda não vale um vintém
Iguais a você já vi mais de cem
Fique longe de mim por favor
Você não merece o meu amor
Tudo que eu fiz por você foi em vão
E se algum dia eu voltar a te ver
Saiba que não penso mais em você
Agora eu sei que todas são, sem exceção
Conselhos nunca faltaram
De tudo fizeram pra me convencer
Mas quando seus olhos brilhavam
A luz me cegava e eu não podia ver
E nem adianta tentar se explicar
Pois eu não quero nem vou lhe escutar
O que você fez não merece perdão
Não vou mais cair na sua tentação
E eu que não sabia
Que você era uma vadia
Vagabunda não vale um vintém
Iguais a você tracei mais de cem
Comentário:
O “vintém” é tão idoso quanto a vadiagem humana. Quando vítima de uma corneada absoluta então, o homem prontamente reage como as estrogênicas: “são todas iguais!”. No mínimo angustiante é a sensação de acompanhar os delírios que o personagem teve às custas da caçadora e usurpadora de masculinos querubins inocentes. Os termos “vagabunda” e “vadia” também podem ser entendidos por “safada, ordinária, cretina” e o clássico “fela da gaita”